Cronologia de Minas Novas
Cronologia de Minas Novas
A história de Minas Novas está entre as mais antigas e importantes de Minas Gerais. Sua formação acompanha o ciclo do ouro, a expansão das bandeiras paulistas, a ocupação do Vale do Jequitinhonha e a consolidação de um dos maiores municípios do estado, cuja área original deu origem a dezenas de cidades mineiras. Ao longo de quase três séculos, Minas Novas construiu uma trajetória marcada pela mineração, religiosidade, patrimônio histórico, cultura e desenvolvimento regional.
Século XVIII
1727 – Descoberta das Lavras do Fanado
Os primeiros exploradores paulistas, liderados pelo bandeirante Sebastião Leme do Prado, chegaram à região fugindo de uma epidemia que atingia o Rio Manso, nas proximidades de Diamantina. Durante a expedição encontraram ouro e diamantes nas margens do atual Ribeirão Bom Sucesso e do Rio Fanado, dando início ao povoamento da região. (IBGE)
1728 – Criação do Distrito
Com o rápido crescimento do arraial minerador, foi criado o distrito de Nossa Senhora do Bom Sucesso das Minas do Fanado, subordinado inicialmente à Vila do Príncipe (atual Serro). (Minas Novas)
1730 – Elevação à Vila
Em 2 de outubro de 1730, o Vice-Rei do Brasil, Vasco Fernandes César de Menezes, elevou o arraial à categoria de vila, recebendo o nome de:
Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso das Minas Novas da Contagem.
A criação da vila representou enorme importância política e administrativa, tornando Minas Novas um dos primeiros centros urbanos do interior de Minas Gerais. A partir desse momento passou a possuir Câmara, Cadeia e estrutura administrativa própria. (IBGE)
Década de 1730
Instalação da Câmara Municipal.
Construção das primeiras edificações públicas.
Expansão das atividades mineradoras.
Chegada de portugueses, paulistas, africanos escravizados e comerciantes.
Organização das primeiras irmandades religiosas.
1740–1760
Período de maior prosperidade da mineração.
O ouro e os diamantes impulsionaram intenso crescimento populacional.
Foram construídas diversas residências, sobrados comerciais e templos religiosos.
Nesse período iniciaram-se as construções que hoje compõem o conjunto histórico da cidade.
Segunda metade do século XVIII
Construção das principais igrejas coloniais:
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Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos;
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Igreja de Nossa Senhora do Amparo;
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Capela de São José;
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diversas capelas rurais.
Também ocorre a consolidação da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Minas Novas, uma das mais antigas irmandades negras em atividade no Brasil, responsável por preservar tradições religiosas e culturais que permanecem vivas até os dias atuais. (Wikipédia)
1760
Por determinação da Coroa Portuguesa, Minas Novas deixou de pertencer administrativamente ao território da Bahia e passou definitivamente para a Capitania de Minas Gerais, integrando a Comarca do Serro Frio. Essa mudança fortaleceu o controle fiscal da Coroa sobre a produção mineral da região. (Minas Novas)
Século XIX
Início do século XIX
Com o declínio da mineração, a economia passou por profunda transformação.
A população voltou-se para:
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agricultura;
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pecuária;
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produção de algodão;
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fabricação de tecidos;
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açúcar;
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aguardente.
O naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, em visita à Vila do Fanado em 1817, registrou a qualidade do algodão, da seda produzida na região e a importância econômica da vila. (Minas Novas)
1821
Construção do Sobradão, um dos maiores e mais importantes edifícios coloniais em taipa de Minas Gerais.
A edificação tornou-se símbolo da arquitetura colonial de Minas Novas e atualmente integra o patrimônio histórico nacional. (Serviços e Informações do Brasil)
1840
Em 9 de março de 1840, a antiga Vila foi elevada à categoria de cidade, passando a denominar-se oficialmente Minas Novas. (IBGE)
1856
Foi apresentado ao Parlamento Imperial um projeto propondo a criação da Província de Minas Novas, que teria a cidade como capital.
A proposta abrangia grande parte do atual Vale do Jequitinhonha e porções do sul da Bahia.
Embora nunca tenha sido aprovada, demonstra a relevância política e econômica de Minas Novas no período imperial. (Minas Novas)
Final do século XIX
A cidade tornou-se importante centro comercial regional.
Mesmo sem receber o ramal da Estrada de Ferro Bahia–Minas, Minas Novas manteve forte produção agropecuária e têxtil, comercializando:
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algodão;
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açúcar;
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aguardente;
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couro;
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gado;
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tecidos artesanais.
Século XX
Décadas de 1900–1930
Expansão das atividades comerciais.
Construção de novos edifícios públicos.
Reformas urbanas.
Implantação do atual Cemitério Municipal.
Construção da Gruta de Nossa Senhora do Bom Sucesso.
Década de 1950
Construção do Fórum Tito Fulgêncio.
Implantação de edifícios públicos modernistas.
Reorganização administrativa do município.
Décadas de 1960–1980
Melhorias na infraestrutura urbana.
Construção de escolas.
Expansão dos serviços públicos.
Criação do monumento comemorativo aos 250 anos de Minas Novas, inaugurado em 1980 na Praça Naná Costa.
Final do século XX
Fortalecimento do artesanato em cerâmica do Vale do Jequitinhonha.
Reconhecimento nacional das artesãs de Cachoeira do Fanado.
Expansão das manifestações culturais tradicionais.
Século XXI
Anos 2000
Fortalecimento do turismo histórico e cultural.
Criação dos distritos de:
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Baixa Quente;
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Cruzinha;
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Lagoa Grande;
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Ribeirão da Folha.
(ProCep)
2010
Conclusão da restauração da Igreja de Nossa Senhora do Amparo, revelando importantes pinturas originais do século XVIII e preservando um dos principais patrimônios religiosos do município. (Wikipédia)
2021
Conclusão das obras de restauração do histórico Sobradão de Minas Novas, conduzidas pelo IPHAN, garantindo a preservação de um dos mais importantes exemplares da arquitetura colonial em taipa do Brasil. (Serviços e Informações do Brasil)
Atualidade
Minas Novas consolida-se como referência regional em:
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preservação do patrimônio histórico;
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turismo cultural e religioso;
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artesanato em cerâmica;
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agricultura familiar;
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desenvolvimento sustentável;
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valorização das tradições populares.
A cidade preserva um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do Vale do Jequitinhonha, mantendo vivas manifestações como a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a Festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso, bandas de música, congados, folias e demais expressões da cultura popular.
Além disso, o antigo território de Minas Novas foi desmembrado ao longo dos séculos, contribuindo para a criação de 65 municípios mineiros, consolidando sua importância histórica para a formação territorial de Minas Gerais. (Wikipédia)
Fontes
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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Histórico de Minas Novas (MG). (IBGE)
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Prefeitura Municipal de Minas Novas. História do Município. (Minas Novas)
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Waldemar de Almeida Barbosa. Dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais. Editora Itatiaia.
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IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Sobradão de Minas Novas. (Serviços e Informações do Brasil)
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IEPHA-MG – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais. Inventário de Proteção do Acervo Cultural de Minas Novas.
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Yara de Cássia Alves. Recomposições do passado: memórias e histórias da Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos em Minas Novas (MG). Religião & Sociedade, 2022. (en.wikipedia.org)